quarta-feira, 7 de outubro de 2009

pós-produção I - la bufona

Porque a pós-produção voltou a andar, e o filme será telecinado já, devo não só voltar a postar, re-empolgada, como deixar registrado neste espaço os fabulosos membros que constituiram as equipes no set de "light my fire".


No still, Lina Kaplan
emanando energia zen e buenas ondas, diretamente de seu ser hasta todos around her;


Obrigada, Lina Kaplan-Vieira!


Na continuidade,
a continuísta mais sex-appeal
da UFF e do filme,
Suzana
arrasando na substituição honorária da atriz,
Mariana Mordente.



Obrigada a você também, Suzana!


Na equipe de arte,
"i don't fucking care!", os maiores rockstars frustrados, depois de mim, claro, do curso de cinema da UFF, Carlos Eduardo, Gui, ou Guilherme, e Thiago (rapaz de quem não tenho foto, pois não compareceu à segunda etapa das filmagens deste filme)


obrigada a você também, gui!


obrigada a você também, carlos!


E agoraaaa, a esperada equipe de fotooooooooooooooo!!!
Com vocês, os grandes, os fortes, os exuberantes, os altos e os ultra-másculos:


Francisco Orlandi, o famoso Chico
o catarina que passou o rodo no Rio de Janeiro!

Janaína Villas-Bôas
a maior assistente de câmera do mundo!

e Renata Catharino
a mais forte assistente de câmera do mundo!


Agora vocês poderão conferir todo o glamour fotogênico dessa galera show de bola:










Obrigada a todos vocês!



E não perca no próximo post:

mais piadas internas,
equipe de som,
de produçao,

de direção,

e Mariana Mordente!


terça-feira, 21 de julho de 2009

Arriflex IIC



Acabei de reassistir a O Último Imperador, do Bertolucci, fotografia do Storaro, filme incrível, uma soundtrack de chorar e tudo mais... E eis que tive a idéia para este post, porque vez ou outra via aqui e ali, no filme, um cinegrafista operando uma Arriflex 35mm (uma espécie de câmera de cinema): filmava um desfile da tropa de Mao Tsé-Tung, um encontro de imperadores, enfim, situações históricas. E essa câmera é praticamente a mesma que usei para rodar "Light My Fire", cedida pelo CTAv. Saí para pesquisar um pouco mais sobre ela, porque já estava um pouco emocionada, talvez menos emocionada que consciente de uma conjuntura sócio-político-cultural.

Explico: não sei exatamente como a ARRI IIC chegou no CTAv, mas sei que foi uma doação do "primeiro mundo", já que a dita cuja câmera, apesar de ótima, é muito antiga e ultrapassada tecnologicamente... e tudo o que vem junto a ela, como o tripé, as lentes, e outros acessório. O que quer dizer que a dita cuja câmera já aguentou muito tranco, passou por muitas situações, gravou coisa prá caralho, está muito bem conservada e tem cheiro de história.

O que já sabia é que não só as câmeras 16mm, por serem leves, foram usadas na documentação de fatos históricos e pelas avant-gardes, como também os primeiros modelos da Arriflex 35mm. A câmera surgiu em 1917, em Munique, e o nome ARRI é uma derivação dos nomes dos criadores, Arnold & Ritcher. Em 1937, numa feira de lançamentos tecnológicos em Leipzig, terra de meu amado bruder Lukas, ela ficou conhecida por ser uma câmera altamente manuseável, portátil, muito diferente das grandes câmeras utilizadas nos estúdios de cinema e tralalá... E aí, é claro, ela acabou registrando a ascensão e queda de Hitler, a morte de Mussolini e mais um série de atrocidades e desastres bélicos. E grande parte do que se vê de documentação da Segunda Guerra, foi registrada pela ARRI 35 II... Inclusive a fábrica Arriflex de Munique foi bombardeada durante a guerra, sendo reerguida em 1946, com o lançamento de um novo modelo. E foi através da força aérea americana que a câmera chegou em Hollywood... E, acredito eu, soldados russos talvez tenham conseguido alguns exemplares também, ao chegarem em Berlim... O que é certo é que o russos já estavam filmando nas ruas fazia uma cara, com que câmera eu ainda hei de saber. E o que é certo, também, e que consegui encontrar em pesquisas, é que o governo da China Comunista começou a produzir modelos idênticos aos da ARRI 35 II, o que se deu em Nanking; e que a BBC e o Bertolucci usavam a 35 II também... e que, em 1971, depois de já ter sido lançada a ARRI 35 IIC, Kubrick a usara para rodar algumas seqüências de Laranja Mecânica... E agora ela filma produções brasileiras e universitárias de baixo ou sem nenhum orçamento!

Olhei a foto daquela ARRI, tão jurássica, e pensei na quantidade de coisas pelas quais ela já passou e de eventos que ela já filmou. E me veio todo o filme na cabeça.








quarta-feira, 24 de junho de 2009

Ao contar a história do curta para Fabíola,

MAITENA viraria uma referência...



Não encontrava Fabíola há anos. Na verdade, nos vimos no carnaval daquele mesmo ano de 2007, mas por motivos óbvios, não conseguimos manter um diálogo que não fosse minimamente eufórico. Así que, no encontro sóbrio, passamos um dia e uma noite inteira conversando sobre a vida: o que fizemos, com quem fizemos, o que queríamos fazer e com quem queríamos fazer. Nesse meio tempo (algo que foi das duas da tarde até às quatro da manhã, quando finalmente ficamos completamente roucas, não aguentando mais falar o que quer que fosse), não só contei do roteiro de
"Light My Fire", como iniciamos, juntas, um projeto: o PorNo PorSi (cujo blog sofrerá grandes modificações, assim como o projeto em si, assim como nós duas). Mas voltando, quando contei do roteiro, Fabíola subitamente me disse "sabe o que isso me lembra? um cartoon chamado 'círculo vicioso con poco vicio', da Maitena!", pegou o seu livrão da cartunista e abriu na dita cuja página. "Genial!" pensei e disse! Isso define eu, a Fabíola e mais uma porrada de moçoilas (vocabulário fabioliano), incluindo a própria Mariana... a personagem, claro, porque a Mordente é tão totalmente desprovida de pêlos, devido à depilação com cera, que os pêlos cenográficos foram oriundos das minhas axilas:



...pois é, eu aproveitei o filme e me depilei também; e o "círculo vicioso con poco vicio" deve, sim, funcionar como uma citação!




Ojalá Maitena nos entenda também burocraticamente.

terça-feira, 23 de junho de 2009


é ela: mari, mariana, mordente, mari mordente;
Mariana Mordente!
A dinâmica da disciplina de roteiro era a seguinte: escreva seu roteiro original, imprima três vias; uma vai para o professor, outra para o monitor, outra para seu coleguinha de classe. O dever de casa de cada um era redigir um comentário de uma lauda acerca do roteiro com o qual fora premiado; e assim os roteiros rodavam entre os alunos. Fiquei bem feliz com todas as observações que "Light My Fire" recebeu, em especial com uma delas, cuja leitura despertou em mim a sensação de "confiar no taco". Essa observação dizia que o roteiro era bem-estruturado e tudo mais, mas não necessariamente engraçado... a não ser que contasse com uma atriz espirituosa. E o que eu já tinha em mente quando escrevi o roteiro era não só o nome da minha personagem, Mariana, como a própria a atriz, que não por coincidência chama-se, também, Mariana. Não sei por que cargas d'água, mas tinha absoluta certeza que com ela o filme daria certo. Com ela, a espirituosa, Mariana Mordente!!! (Não pude resistir, Mari, foi mal! Enfim, você sabe do star system guerrilha-baixo--nenhum-orçamento que eu quero criar! =)

Depois eu conto como a conheci e onde ela me autografou.

terça-feira, 9 de junho de 2009

O último da "TRILOGIA DA CASUALIDADE"

A trilogia supracitada surgiu da necessidade que tenho de vincular um projeto fílmico ao outro, mesmo que nenhum esteja concretizado, e alguns nem em pés iniciais, inclusive. É verdade que Light My Fire, um curta de seus prováveis três minutos de duração, já está em pés de ser até telecinado, esperando apenas pela resolução de algumas burocracias institucionais e outras intolerâncias privadas. Mas deixemos isso prá lá, é melhor falar do filme em si, função real deste blog.

Light My Fire é um filme que foi rodado em 35mm, graças à cadeira de Fotografia e Iluminação do curso de Cinema da UFF, o qual cedeu duas latas de negativo de 120m, além de uma série de outros incentivos técnicos e emocionais.

Quando eu nem sabia do que se tratava esse filme, no meu primeiro semestre de faculdade, lá pelos idos 2007 (tão distantes metafisicamente...), estava me depilando no banheiro da casa da minha mãe, em Vitória do Espírito Santo, com uma lâmina de barbear (afinal, se morro de preguiça de me depilar, morro ainda mais de preguiça de marcar depilação com cera, que além disso é extremamente doloroso!), porque, enfim, eu ia para uma festa e sabe lá deus o que iria acontecer naquela noite (ou o que eu achava que iria acontecer). Enquanto eu executava a ação, escutava em volume alto "Light My Fire", do The Doors. E essa música me deixou pensando em mais e mais coisas. Uma delas foi exatamente uma cena que poderia entrar para um filme qualquer; uma das primeiras que achei interessante de ser anotada em meu diário. Atualmente, isso é um vício constante e incontrolável, o que, como todo e qualquer vício, é ruim mas é bom. Anotei. Sem saber o que eu faria com aquilo, mas anotei e deixei lá. Em seguida, passei a assistir viciadamente aos seriados Six Feet Under e Lost. O primeiro tem como início de cada episódio pequenas seqüências de mortes tragicômicas (em geral!); o segundo tem uma personagem, a querida Kate, que explode a casa com o padrasto canalha dentro, que chega em casa bêbado, nem se dá conta do cheiro de gás de cozinha, acende a luz e "BOOM!", morre.

Na seqüência disso tudo estabeleci um inesperado contato de oitavo grau, o mais obsessivamente apaixonado e criativo da minha vida, diga-se de passagem: aquele com o Rodrigo, esse lendário nome que meus amigos, around the world but Vitória, tanto escutam sair da minha boca e dos meus cotovelos. Rodrigo acabava de voltar da sua primeira temporada na escuela de Cuba. Em uma noite frenética, além de muito Havana Club, charutos cubanos y otras cositas más, Rodrigo levou à minha casa, em Vitória, uma série de produções de curtas de 1 e de 3 minutos da escuela. Lembro-me perfeitamente de um deles que uma vidraça inteira se quebrava, sem que pudéssemos ver nada além de uma tela preta, percebendo o fato apenas pelo som de cacos de vidro caindo no chão. Rodrigo sublinhou esse efeito: o som muitas vezes pode sugerir coisas cujo orçamento não sugere (and you must remember this!).

Antes de nos reencontrarmos em São Paulo fui para a Barra do Jucu ficar uns dias com meu pai, aproveitando ele, minha irmã caçula, o sol e o mar. Justamente enquanto caminhava rumo ao ponto de ônibus para ir-me de vez, e ao mesmo tempo em que meu pai me falava sobre as maravilhas dos encontros da vida (afinal eu havia iniciado o tema), enredei tudo: "uma menina estava no banho se depilando com lâmina de barbear, ouvindo 'Light My Fire' empolgadíssima, porque teria uma noite incrível de sexo selvagem, esquecendo-se, porém, de uma água que deixara fervendo na cozinha, onde ventava muito, e ventava o suficiente para que a chama fosse apagada e o gás permanecesse vazando, quando, então, pararia de ventar e o gás poderia espalhar-se; o interfone toca e ela pensa que é o convidado da noite, enganado-se, no entanto, ficando puta da vida e daí resolve fumar um cigarrinho; o que não se consolida, já que ela explode tudo ao acionar o isqueiro. Entre tantas outras coisas que estavam dispostas no banheiro dessa menina, havia uma série de acessórios sexuais." Escrevi no diário esse argumentinho furreca; e meu pai achou lindo! Em seguida, num bar na Vila Mariana, num dia de jogo seiláoqueXseiláassado, que só estava passando naquele exato bar, contei esse argumentinho para Rodrigo, acompanhado de mais dois amigos; um deles ouviu o argumentinho também, o outro estava vendo o jogo. Quando cheguei na parte dos acessórios sexuais, Rodrigo vira para o lado e diz "isso é a cara dessa mulher..." ao amigo. Terminei. E a questão foi: "tá. e onde é que você vai conseguir dinheiro para explodir uma casa? quer dizer... explodir é fácil, o problema é construir a casa que será explodida, e...". Disse então que faria uso de alguma estratégia do jogo com o som (ou não; talvez essa idéia tenha sido posterior, na real...). E o resto não conto mais, só vendo. E ouvindo. =)

Bem, este foi um longo post, e ainda maior será o processo de introdução que nem introduziu nada, na verdade. Deixo para explicar o título logo mais. E a idéia deste blog é exatamente essa: registrar todas as etapas inerentes ao processo de criação e feitura do filme. Daí, sejamos metódicos. Primeiro falaremos de vida real. Depois das fases de criação, roteirização, concepção, pré-produção, filmagens e a minha contemporânea fase de finalização (como já disse, em fase empacada, stand by que não é de geladeira - parafraseando Rodrigo - mas que é de geladeira, pois é exatamente nela onde um dos negativos se encontra agora!). Mas muita calma nessa hora, nem tudo serão textos enormes como este, tampouco textos só meus, para alívio de geral: teremos materiais audiovisuais, como vídeos e fotografias de making of, além de fotografias still. Teremos também textos de outras pessoas da equipe contando suas experiências relacionadas ao filme, como o Chico, diretor de fotografia, que desde quando lancei a idéia do blog já sabia exatamente qual seria o seu primeiro post! Segue acima, dentre tantas prolixidades, exposições e lembranças, o trabalho que é realizar um filme de três minutos, em película.

Enfim, mil coisas!