A trilogia supracitada surgiu da necessidade que tenho de vincular um projeto fílmico ao outro, mesmo que nenhum esteja concretizado, e alguns nem em pés iniciais, inclusive. É verdade que Light My Fire, um curta de seus prováveis três minutos de duração, já está em pés de ser até telecinado, esperando apenas pela resolução de algumas burocracias institucionais e outras intolerâncias privadas. Mas deixemos isso prá lá, é melhor falar do filme em si, função real deste blog.
Light My Fire é um filme que foi rodado em 35mm, graças à cadeira de Fotografia e Iluminação do curso de Cinema da UFF, o qual cedeu duas latas de negativo de 120m, além de uma série de outros incentivos técnicos e emocionais.
Quando eu nem sabia do que se tratava esse filme, no meu primeiro semestre de faculdade, lá pelos idos 2007 (tão distantes metafisicamente...), estava me depilando no banheiro da casa da minha mãe, em Vitória do Espírito Santo, com uma lâmina de barbear (afinal, se morro de preguiça de me depilar, morro ainda mais de preguiça de marcar depilação com cera, que além disso é extremamente doloroso!), porque, enfim, eu ia para uma festa e sabe lá deus o que iria acontecer naquela noite (ou o que eu achava que iria acontecer). Enquanto eu executava a ação, escutava em volume alto "Light My Fire", do The Doors. E essa música me deixou pensando em mais e mais coisas. Uma delas foi exatamente uma cena que poderia entrar para um filme qualquer; uma das primeiras que achei interessante de ser anotada em meu diário. Atualmente, isso é um vício constante e incontrolável, o que, como todo e qualquer vício, é ruim mas é bom. Anotei. Sem saber o que eu faria com aquilo, mas anotei e deixei lá. Em seguida, passei a assistir viciadamente aos seriados Six Feet Under e Lost. O primeiro tem como início de cada episódio pequenas seqüências de mortes tragicômicas (em geral!); o segundo tem uma personagem, a querida Kate, que explode a casa com o padrasto canalha dentro, que chega em casa bêbado, nem se dá conta do cheiro de gás de cozinha, acende a luz e "BOOM!", morre.
Na seqüência disso tudo estabeleci um inesperado contato de oitavo grau, o mais obsessivamente apaixonado e criativo da minha vida, diga-se de passagem: aquele com o Rodrigo, esse lendário nome que meus amigos, around the world but Vitória, tanto escutam sair da minha boca e dos meus cotovelos. Rodrigo acabava de voltar da sua primeira temporada na escuela de Cuba. Em uma noite frenética, além de muito Havana Club, charutos cubanos y otras cositas más, Rodrigo levou à minha casa, em Vitória, uma série de produções de curtas de 1 e de 3 minutos da escuela. Lembro-me perfeitamente de um deles que uma vidraça inteira se quebrava, sem que pudéssemos ver nada além de uma tela preta, percebendo o fato apenas pelo som de cacos de vidro caindo no chão. Rodrigo sublinhou esse efeito: o som muitas vezes pode sugerir coisas cujo orçamento não sugere (and you must remember this!).
Antes de nos reencontrarmos em São Paulo fui para a Barra do Jucu ficar uns dias com meu pai, aproveitando ele, minha irmã caçula, o sol e o mar. Justamente enquanto caminhava rumo ao ponto de ônibus para ir-me de vez, e ao mesmo tempo em que meu pai me falava sobre as maravilhas dos encontros da vida (afinal eu havia iniciado o tema), enredei tudo: "uma menina estava no banho se depilando com lâmina de barbear, ouvindo 'Light My Fire' empolgadíssima, porque teria uma noite incrível de sexo selvagem, esquecendo-se, porém, de uma água que deixara fervendo na cozinha, onde ventava muito, e ventava o suficiente para que a chama fosse apagada e o gás permanecesse vazando, quando, então, pararia de ventar e o gás poderia espalhar-se; o interfone toca e ela pensa que é o convidado da noite, enganado-se, no entanto, ficando puta da vida e daí resolve fumar um cigarrinho; o que não se consolida, já que ela explode tudo ao acionar o isqueiro. Entre tantas outras coisas que estavam dispostas no banheiro dessa menina, havia uma série de acessórios sexuais." Escrevi no diário esse argumentinho furreca; e meu pai achou lindo! Em seguida, num bar na Vila Mariana, num dia de jogo seiláoqueXseiláassado, que só estava passando naquele exato bar, contei esse argumentinho para Rodrigo, acompanhado de mais dois amigos; um deles ouviu o argumentinho também, o outro estava vendo o jogo. Quando cheguei na parte dos acessórios sexuais, Rodrigo vira para o lado e diz "isso é a cara dessa mulher..." ao amigo. Terminei. E a questão foi: "tá. e onde é que você vai conseguir dinheiro para explodir uma casa? quer dizer... explodir é fácil, o problema é construir a casa que será explodida, e...". Disse então que faria uso de alguma estratégia do jogo com o som (ou não; talvez essa idéia tenha sido posterior, na real...). E o resto não conto mais, só vendo. E ouvindo. =)
Bem, este foi um longo post, e ainda maior será o processo de introdução que nem introduziu nada, na verdade. Deixo para explicar o título logo mais. E a idéia deste blog é exatamente essa: registrar todas as etapas inerentes ao processo de criação e feitura do filme. Daí, sejamos metódicos. Primeiro falaremos de vida real. Depois das fases de criação, roteirização, concepção, pré-produção, filmagens e a minha contemporânea fase de finalização (como já disse, em fase empacada, stand by que não é de geladeira - parafraseando Rodrigo - mas que é de geladeira, pois é exatamente nela onde um dos negativos se encontra agora!). Mas muita calma nessa hora, nem tudo serão textos enormes como este, tampouco textos só meus, para alívio de geral: teremos materiais audiovisuais, como vídeos e fotografias de making of, além de fotografias still. Teremos também textos de outras pessoas da equipe contando suas experiências relacionadas ao filme, como o Chico, diretor de fotografia, que desde quando lancei a idéia do blog já sabia exatamente qual seria o seu primeiro post! Segue acima, dentre tantas prolixidades, exposições e lembranças, o trabalho que é realizar um filme de três minutos, em película.
Enfim, mil coisas!
Light My Fire é um filme que foi rodado em 35mm, graças à cadeira de Fotografia e Iluminação do curso de Cinema da UFF, o qual cedeu duas latas de negativo de 120m, além de uma série de outros incentivos técnicos e emocionais.
Quando eu nem sabia do que se tratava esse filme, no meu primeiro semestre de faculdade, lá pelos idos 2007 (tão distantes metafisicamente...), estava me depilando no banheiro da casa da minha mãe, em Vitória do Espírito Santo, com uma lâmina de barbear (afinal, se morro de preguiça de me depilar, morro ainda mais de preguiça de marcar depilação com cera, que além disso é extremamente doloroso!), porque, enfim, eu ia para uma festa e sabe lá deus o que iria acontecer naquela noite (ou o que eu achava que iria acontecer). Enquanto eu executava a ação, escutava em volume alto "Light My Fire", do The Doors. E essa música me deixou pensando em mais e mais coisas. Uma delas foi exatamente uma cena que poderia entrar para um filme qualquer; uma das primeiras que achei interessante de ser anotada em meu diário. Atualmente, isso é um vício constante e incontrolável, o que, como todo e qualquer vício, é ruim mas é bom. Anotei. Sem saber o que eu faria com aquilo, mas anotei e deixei lá. Em seguida, passei a assistir viciadamente aos seriados Six Feet Under e Lost. O primeiro tem como início de cada episódio pequenas seqüências de mortes tragicômicas (em geral!); o segundo tem uma personagem, a querida Kate, que explode a casa com o padrasto canalha dentro, que chega em casa bêbado, nem se dá conta do cheiro de gás de cozinha, acende a luz e "BOOM!", morre.
Na seqüência disso tudo estabeleci um inesperado contato de oitavo grau, o mais obsessivamente apaixonado e criativo da minha vida, diga-se de passagem: aquele com o Rodrigo, esse lendário nome que meus amigos, around the world but Vitória, tanto escutam sair da minha boca e dos meus cotovelos. Rodrigo acabava de voltar da sua primeira temporada na escuela de Cuba. Em uma noite frenética, além de muito Havana Club, charutos cubanos y otras cositas más, Rodrigo levou à minha casa, em Vitória, uma série de produções de curtas de 1 e de 3 minutos da escuela. Lembro-me perfeitamente de um deles que uma vidraça inteira se quebrava, sem que pudéssemos ver nada além de uma tela preta, percebendo o fato apenas pelo som de cacos de vidro caindo no chão. Rodrigo sublinhou esse efeito: o som muitas vezes pode sugerir coisas cujo orçamento não sugere (and you must remember this!).
Antes de nos reencontrarmos em São Paulo fui para a Barra do Jucu ficar uns dias com meu pai, aproveitando ele, minha irmã caçula, o sol e o mar. Justamente enquanto caminhava rumo ao ponto de ônibus para ir-me de vez, e ao mesmo tempo em que meu pai me falava sobre as maravilhas dos encontros da vida (afinal eu havia iniciado o tema), enredei tudo: "uma menina estava no banho se depilando com lâmina de barbear, ouvindo 'Light My Fire' empolgadíssima, porque teria uma noite incrível de sexo selvagem, esquecendo-se, porém, de uma água que deixara fervendo na cozinha, onde ventava muito, e ventava o suficiente para que a chama fosse apagada e o gás permanecesse vazando, quando, então, pararia de ventar e o gás poderia espalhar-se; o interfone toca e ela pensa que é o convidado da noite, enganado-se, no entanto, ficando puta da vida e daí resolve fumar um cigarrinho; o que não se consolida, já que ela explode tudo ao acionar o isqueiro. Entre tantas outras coisas que estavam dispostas no banheiro dessa menina, havia uma série de acessórios sexuais." Escrevi no diário esse argumentinho furreca; e meu pai achou lindo! Em seguida, num bar na Vila Mariana, num dia de jogo seiláoqueXseiláassado, que só estava passando naquele exato bar, contei esse argumentinho para Rodrigo, acompanhado de mais dois amigos; um deles ouviu o argumentinho também, o outro estava vendo o jogo. Quando cheguei na parte dos acessórios sexuais, Rodrigo vira para o lado e diz "isso é a cara dessa mulher..." ao amigo. Terminei. E a questão foi: "tá. e onde é que você vai conseguir dinheiro para explodir uma casa? quer dizer... explodir é fácil, o problema é construir a casa que será explodida, e...". Disse então que faria uso de alguma estratégia do jogo com o som (ou não; talvez essa idéia tenha sido posterior, na real...). E o resto não conto mais, só vendo. E ouvindo. =)
Bem, este foi um longo post, e ainda maior será o processo de introdução que nem introduziu nada, na verdade. Deixo para explicar o título logo mais. E a idéia deste blog é exatamente essa: registrar todas as etapas inerentes ao processo de criação e feitura do filme. Daí, sejamos metódicos. Primeiro falaremos de vida real. Depois das fases de criação, roteirização, concepção, pré-produção, filmagens e a minha contemporânea fase de finalização (como já disse, em fase empacada, stand by que não é de geladeira - parafraseando Rodrigo - mas que é de geladeira, pois é exatamente nela onde um dos negativos se encontra agora!). Mas muita calma nessa hora, nem tudo serão textos enormes como este, tampouco textos só meus, para alívio de geral: teremos materiais audiovisuais, como vídeos e fotografias de making of, além de fotografias still. Teremos também textos de outras pessoas da equipe contando suas experiências relacionadas ao filme, como o Chico, diretor de fotografia, que desde quando lancei a idéia do blog já sabia exatamente qual seria o seu primeiro post! Segue acima, dentre tantas prolixidades, exposições e lembranças, o trabalho que é realizar um filme de três minutos, em película.
Enfim, mil coisas!
it's on fire!
ResponderExcluirMIGUEEEES que post lindo! Estou ansiosa para ver o material e boto A MAIOR FÉ nessa paradaê, valeu!!! Queria achar uma citação do Gil que tivesse tudo a ver com o seu post e as mil coisas do mundo mas eu sou muito ineficiente então deixo aqui um =)
ResponderExcluircoloca as fotinho logo e para de falar, vai.... rarara. sorte aí no processo bonitinha! quero ver (e ouvir!) meu sobrinho logo!
ResponderExcluirprolixo mas breve de se ler, diga-se, gostoso, acompanhado de risos :)
ResponderExcluir"Enfim, mil coisas" parece nome de algo...não sei...
ResponderExcluirPois, é grande mas corrido de ler.
E bom pra acompanhar todo processo físico e mental do filme.
Só não precisava contar do BUM! né?rs
Fiquei curiosa pra ver/ouvir sua solução pra explosão tchacabum!